Felicidade ou contentamento?

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Ed René Kivitz

A neurociência está descobrindo que, quando as pessoas falam em felicidade, na verdade estão descrevendo estados de espírito, estão falando de momentos quando se sentem bem, em comparação a outros quando experimentam algum tipo de desconforto.
Não é possível encontrar uma definição completa e definitiva para a felicidade, mas qualquer que seja ela, estará associada aos estados de espírito com os quais atravessamos a vida.
Felicidade, para a maioria, é uma questão de “como estou me sentindo agora”. E isso quer dizer que, tanto a alegria indescritível de ganhar um filho, quanto a tristeza insuportável de perder alguém que a gente ama, não duram para sempre. O grande desafio que enfrentamos na correria da vida é administrar os estados de espírito com que atravessamos nossas rotinas do dia-a-dia. Por esta razão, prefiro trocar a palavra “felicidade” por “contentamento”. Contentamento deriva do latim contentu (conteúdo). Contente é aquele que tem conteúdo em si mesmo, ou é capaz de usufruir o conteúdo do momento.
A vida é o bem e o mal entrelaçados, numa dinâmica que precisamos aprender a dominar. Como disse São Paulo, o Apóstolo, precisamos aprender a nos adaptar a cada situação, adquirir a capacidade de usufruir o conteúdo do momento. Quando a vida mandar chorar, a gente chora, e quando mandar sorrir, a gente se alegra.
Viktor Frankl, um psicanalista vienense, precursor da logoterapia (terapia do sentido), que viveu muitos anos como prisioneiro do nazismo num campo de concentração, recomendou: “quando a situação for boa, desfrute-a, quando for ruim, transforme-a, e quando não puder ser transformada, transforme-se”.
A felicidade, ou melhor, o contentamento, o estado de espírito harmonioso e sereno, aquilo que descrevemos como paz interior, é uma conquista de todo dia, passo a passo. O rabino Harold Kushner disse que “tentar encontrar a Grande Resposta, a Grande Solução, realizar o Grande Feito capaz de dar sentido à nossa vida é como tentar comer a Grande Refeição, para nunca mais se ter de preocupar com a fome”, e que “a perseguição da felicidade é um objetivo errado. Você não passa a ser feliz perseguindo a felicidade. Você se torna feliz vivendo uma vida com significado”. A vida não consiste em poucos grandes momentos, mas sim em milhares de pequenos momentos aos quais emprestamos significado.
Em outras palavras, feliz é quem consegue viver um momento de cada vez, dando sentido e significado a cada passo do caminho, pois a felicidade não é lugar aonde se chega, mas um jeito como se vai.
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