A funda de David ou “o fim da História” (notas de uma leitura)

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© João Tomaz Parreira

As origens deste texto, podem ser encontradas na procura aleatória que faço por vezes nas minhas estantes. Deu-me para reler uma obra muito citada, muito referenciada, que meus pais me ofereceram quando fiz 62 anos, em 2009.

“O Fim da História”, de Francis Fukuyama. Quis reabri-la nos pontos principais, que pudessem dar-me algumas pistas para os dias que vivemos hoje, em 2017.

“O fim da história” seria para Fukuyama a instauração definitiva da democracia liberal – escreveu a sua obra em 1989, a queda de um Muro, lembram-se? – vencedora incontornável sobre os ismos históricos, o comunismo e o fascismo, sobretudo. Mas estava adormecido outro ismo, quiçá mais avassalador, o capitalismo que viria a ser selvagem, e de que o mundo com toda a boa vontade dos inocentes se esqueceu. Depois esperou-se quase três décadas que a bondade da globalização e as tecnologias da informação nos salvassem dele, mas aumentaram-no. O capitalismo quanto mais tecnológico mais selvagem. Só falta andarmos todos com um chip na palma da mão, antecipando os dias do Anti-Cristo.

O fim da história tal qual nos é sugerido, aprofundada e sincreticamente, por Fukuyama procede da queda das ideologias, mas nunca cai uma sem que outra se levante.

A experiência dos movimentos literários e artísticos dita-nos isso: terminado o Romantismo começou o Realismo, já para não falarmos das Artes e Literaturas das Vanguardas que se foram sucedendo nos primórdios do Século XX. É uma inevitabilidade.

O fim da história não foi o fim das realidades, o “ponto terminal da evolução ideológica da humanidade”, a “forma final do governo humano”.

Retrocedendo quase vinte séculos, e ficando perante a Queda de Jerusalém sob as sandálias de guerra dos exércitos de Tito, sob o reinado imperial de Vespasiano e, antes, de Nero, no ano 70 A.D., qualquer Fukuyama desse tempo diria que tinha chegado o fim da história. E chegou para os judeus, recomeçando outra história até às primeiras décadas do século passado.

Se formos ainda mais longe, na historiografia bíblica do Velho Testamento, veremos que a funda de David foi para os filisteus o fim da história, mas não contribuiu menos para o fim do apogeu da história de Israel.

A História está sempre a recomeçar como uma Fénix que renasce das suas próprias ruínas.

Voltando à releitura de ”O Fim da História”, a primeira coisa que nos ocorre é que estamos diante do início de uma nova história e, provavelmente, a tender para o fim definitivo.

Não, não estou a pensar em Donald Trump, nem em Putin, nem sequer em Kim Jong –Un, tão pouco penso em nenhum Aiatolá, são todos muito néscios para virem a ser o Anti-Cristo.

Estou a pensar na marcha inexorável da Humanidade. No mundo actual onde, segundo C.S.Lewis, existem “homens sem verticalidade”, que vogam aos ventos dos interesses instalados. Sendo talvez o mais próximo hoje, o desejo de destruir para construir novo. Qual novo? Isto Fukuyama não nos pode ou não soube dizer, mas estará sempre entre duas palavras: o Bem ou o Mal. A vã glória ou a humildade. A megalomania ou a inferioridade.

 

05-02-2017                 

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