Porque se deixaram morrer?

Resultado de imagem para geração hippie

 

  ©  João Tomaz Parreira

 

Ler ou ouvir o poema cantado “The End” da mítica banda norte-americana The Doors, apesar da sua estrutura metafórica e da sua semiótica, deixa-nos uma simples e triste mensagem: a morte é a nossa única amiga.

Parece uma canção desesperada, mas é aceite como natural na voz neutra, sem emoções, de Jim Morrison (1943-1971), jovem mito sepultado no cemitério Père Lachaise, em Paris.

“Este é o fim
Belo amigo
Este é o fim
Meu único amigo, o fim
Dos nossos elaborados planos, o fim
De tudo que resta, o fim
Sem salvação ou surpresa, o fim”

Fica-nos a questão para reflectir, por que razão jovens idolatrados pela juventude se deixaram morrer, ou pelo suicídio ou pela adição às drogas? Perde-se no meio do cântico, que é mesmo em estilo de rock psicadélico ou progressivo, conforme os especialistas, um apelo que passa despercebido no caudal do poema escrito por Morrison: “

“Desesperadamente a precisar da mão de algum estranho

Em uma terra de desespero” 

Jim Morrison, que usou nos seus versos referências edipianas (do mito Édipo, de Sófocles), divindade do rock introspectivo dos anos 60/70, acaba por morrer de ataque cardíaco derivado do abuso das drogas ácidas, LSD, heroína, etc., a morte psicadélica e caleidoscópica dentro do cérebro.

Em 1969, o músico afirmava: “Toda a vez que escuto “The End”, ela significa algo mais para mim. Começa como uma simples canção de despedida provavelmente para uma namorada, mas eu a vejo como uma despedida para um tipo de infância. Eu sinceramente não sei.” 

Jim transpunha para as suas músicas toda uma tendência freudiana para analisar os seus traumas de infância e, sobretudo, de juventude. Los Angeles não era um lugar fácil.

Antes dele e trilhando o mesmo caminho, do “único amigo, o fim”, outro ícone da minha juventude: a cantora Janis Joplin (1943-1970), a maior interprete de blues e da soul music, dos anos 60, também se deixara morrer, isto é, foi morrendo aos poucos.

Corre na web, ligado a uma das suas interpretações mais célebres (“Me & Bobby McGee”) um cartaz sobre a cantora que diz:

“Janis Joplin (1943-1970) Drugs took her at 27. Please make a different choise” (“As drogas levaram-na aos 27 anos. Por favor, faça uma escolha diferente”).

Tal não escolha ou escolha errada integrava alguns dos seus cânticos em forma de Blues mais celebrizados e que ainda hoje, com 70 anos, ouço com um nó no coração, não apenas pela sua voz, mas porque se sabe que, na sua adolescência fez parte de um coro de igreja.

A sua vida desde aí não foi um chão de flores, embora se vivesse nos anos 60 a era das “flores no cabelo” dos hippies californianos.

A revista da especialidade “Rolling Stone”, de Agosto de 1970, escrevia que a cantora se desgastara embora animadamente, como quem “dança à chuva”.

Um ou dois exemplos. A letra/ poema “Cry Baby” não é só um poema de amor, mas é um texto que, na voz da cantora, reflecte a dor de uma separação com um pedido premente:

“Querido, bem-vindo de volta a casa / Venha e chore, chore, querido”. É uma canção em que a estrada termina, significando isso o que significar na vida,

sobretudo quando a dada altura se ouve/lê:

“Querido, venha para a sua mãe agora / Se você quer ter o amor de uma mulher”. (“I want you to come on, come on to your mama now / And if you ever want a little love of a woman”).

Há uma outra letra/poema de amor desesperado em que o coração de mulher, mulher-companheira, mulher-mãe, se vai desfazendo. “Piece of My Heart” na voz de Janis fala da tristeza que contradizia a exuberância da moda hippie das vestes da cantora. Começa a conhecer-se um coração destroçado.

“Leve outro pedacinho do meu coração agora, querido! / Oh, oh, quebre-o!
Quebre outro pedacinho do meu coração agora, querido, sim, sim”

Ela trocaria todos os seus amanhãs por um único ontem. Aos 27 anos não pode mais, a sua vida desbotada como as suas jeans. Apesar da liberdade não ser mais do que uma palavra que não se podia perder, Joplin suicidar-se-ia em 1970, ou antes, seria vítima de overdose de heroína.

As drogas continuariam a fazer as suas vítimas. Poderia ter escrito sobre tantos outros, como Kurt Cobain, saudado como “ porta-voz de uma geração”, da banda “Nirvana”, que aos 27 anos também se suicidou com um tiro de espingarda.

Relembro aqui, finalmente, Amy Winehouse, a qual se despedaçou – é o termo que me ocorre – da sua beleza e da sua grande voz, para uma morte igualmente aos 27 anos, engolida pelas drogas e o abuso do álcool, foi encontrada morta na sua casa de Londres, em 2011.

No livro bíblico Eclesiastes, que, de um modo especial em relação a toda a Bíblia Sagrada, é de per se um roteiro de boa vivência e de boa vizinhança com Deus, somos ajudados há milénios a entender-nos ontologicamente e o que podemos obter da vida, do ponto de vista da praticidade do nosso quotidiano, porque não se está na vida por acaso, embora o poeta Álvaro de Campos desse a entender que sim.

O Pregador, sem uma Teologia explícita, abre-nos, por exemplo, todo um conjunto de aplicações do tempo no Tempo e toda uma regra básica de sobrevivência, ligada aos valores com Deus. Leia-se o Eclesiastes, onde o bem da juventude é primacial. “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias”.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s