O Pródigo

 

 

Quando escondes as mãos no bolso

Por um fio das calças e não encontras

O sentido da vida, o vazio

Que estranhas ainda no calor do corpo

E o que pensas é uma forma ténue

De um vulto na dobra da estrada

Um quarto com uma porta

Sempre guardada pelo coração do teu pai

Uma gravura oblíqua na parede e nela

A secura das águas do Jordão e os salgueiros

Que se protegem do vento unindo os ramos

E dizes, com o coração seco

Estou sozinho sem peito onde esconder o medo

Sem os braços amados onde amarrar meu barco

Sem os dois olhos que conheciam a minha sombra

Na densa noite, ninguém aqui

Para me dizer mesmo a mais fugidia das palavras

Amor

Por isso, vou voltar, interrogo a memória da casa

E não é uma ruína

Já não suporto mais o esquecimento de mim mesmo.

 

 

01-06-2015

© J.T.Parreira

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s