Porque não sou neopentecostal

 

 

“Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.

Ó insensatos gálatas! quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi evidenciado, crucificado, entre vós?”

(Epístola de S. Paulo aos Gálatas 1:6-8; 3:1)

 

 

Todo o evangelho descentrado da cruz do Calvário, e que não passa pelo senhorio de Cristo, é espúrio e deve ser rejeitado. Da mesma forma como as propostas do deus-morto ou do deus-limitado, sugerido por muitos outros.

O neopentecostalismo é uma praga, uma verdadeira pandemia surgida nos meios cristãos, que tem arrastado multidões, enganadas e manipuladas por falsas promessas e doutrinas heréticas. Tem semelhança com o Cristianismo mas nega a sua essência. Essas auto-denominadas igrejas não passam de seitas neo-pagãs, de fachada cristã.

 

Há um conjunto de razões pelas quais não sou neopentecostal:

  1. Porque o neopentecostalismo ensina a ineficácia do sangue de Cristo. Os seus pregadores proclamam um falso Jesus, cuja competência salvífica não garante ao homem convertido a libertação das maldições. Tais líderes promovem campanhas milagreiras recorrentes para retirar encostos, quebrar maldições e forçar Deus a dar-nos o que nos pertence, por direito próprio. Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, os quais foram libertos de quaisquer maldições passadas, conhecidas ou não, pelo poder da cruz e do sangue de Cristo, que nos livra de todo o pecado e encerra em si mesmo toda a maldição que antes estava sobre nós (Romanos 8:1).
  1. Porque defende revelações particulares e baseia as suas práticas em experiências pessoais, visões, sonhos e outro tipo de revelações à revelia das Escrituras, que são o fio-de-prumo do cristão.
  1. Porque mistura, com o seu já desequilibrado corpo de doutrina, práticas do Oculto, alheias ao Cristianismo, e próximas do umbanda e outros ritos de origem africana.
  1. Porque constitui um sistema de manipulação de massas, apelando a uma postura acrítica e seguidista.
  1. Porque infunde um sistema de medo, com base numa teia de demónios para cada situação. Para o neopentecostalismo tudo são demónios.
  1. Porque promove a infantilidade espiritual, ao culpar sempre os demónios pelos problemas de um carácter não sujeito a Cristo, em vez de lidar com eles, e por fazer do chamado “descarrego” uma prática corrente e recorrente.
  1. Porque intimida e controla os fiéis e prendendo-os à organização através da teoria da “cobertura espiritual do ministério” sem a qual seriam destruídos pelo diabo.
  1. Porque, ao contrário do apóstolo Paulo, não prega todo o conselho de Deus, nem instrui o povo sobre as verdades espirituais e sobre a realidade da vida.
  1. Porque distorce a teologia do sofrimento, como se este não fosse inerente à condição humana e ao percurso cristão. A natureza criada participa das dores, angústias e consequências da Queda, e aguarda com ardente expectativa a manifestação dos filhos de Deus (Romanos 8:19-23).
  1. Porque se aventura por caminhos de cura emocional, ainda por cima sem preparação técnica, em rituais de tipo pseudopsicológico, como por exemplo, regressões ao útero materno e libertação do perdão a Deus, através de uma praxis alheia ao Evangelho, às Escrituras e ao testemunho dos Apóstolos.
  1. Porque desenvolveu um sistema de verdadeira extorsão do povo, baseado em falsas promessas e curas forjadas, que provoca uma lavagem cerebral que faz o pobre entregar até seu último centavo em busca de redenção.
  1. Porque desvaloriza as Escrituras. Os líderes dão pouca importância ao conhecimento das Escrituras, servem-se delas apenas na qualidade de repositório de exemplos.
  1. Porque faz do centro de adoração uma farmácia onde as pessoas se limitam a ir buscar o que precisam, a cada momento, desconhecendo o sentido de corpo espiritual, que se caracteriza por vertentes como a partilha, a entreajuda e o testemunho.
  1. Porque não prega a adesão a Cristo e o senhorio deste, mas sim uma mera negociação entre as partes, fazendo de Deus um negociante interesseiro e cruel.
  1. Porque semeia a superstição pura. São por demais conhecidas práticas como o sabonete de arruda, o caminho do sal, a travessia do rio Jordão, o manto dos milagres, a rosa ungida, o copo de água, e tantos, tantos outros.
  1. Porque despreza a Graça de Deus no processo de Salvação e edificação do crente. Devido à suficiência e plenitude da graça de Cristo, não necessitamos de quaisquer sacrifícios ou negociações para alcançar a salvação e favores de Deus (Efésios 2:8-9). Porque ignora a suficiência da Graça na totalidade da vida cristã, donde decorre o princípio de que não há nada que possamos fazer para “merecer” a atenção de Deus (Romanos 3:23; 2 Coríntios 12:9).
  1. Porque propõe, na prática, uma espécie de neo-maniqueísmo. O sacerdote persa Mani (também conhecido por Maniqueu, séc. III) pregava a existência de duas divindades igualmente poderosas, a benigna e a maligna, que se combatiam mutuamente. O neopentecostalismo, na prática, ressuscita esta velha doutrina.
  1. Porque influencia o individual em detrimento do colectivo, em oposição ao princípio bíblico vivido pela igreja primitiva, de que “ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum” (Actos 4:32).
  1. Porque não evidencia as boas práticas de prestação de contas à comunidade local de fé, revelando assim falta de transparência nas coisas de Deus.
  1. Porque evidencia um estilo de liderança anticristão e antibíblico, que não se coaduna com os princípios bíblicos de liderança espiritual.

 

Conclusão 

Por tudo isto e muito mais, o neopentecostalismo não passa de um neopaganismo de fachada cristã.

Dir-se-á que algumas das características acima descritas são igualmente visíveis noutros sectores religiosos (e até políticos). Pois bem, o neopentecostalismo é uma corrente religiosa pós-moderna, de inspiração cristã, mas que não pode ser considerada protestante nem evangélica, dado o facto de as suas doutrinas e práticas não configurarem tal identidade.

 

 Fonte: José Brissos-Lino, “O Grito da Semente”, Ed. Edium, 2010.

 

 

 

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s