Sobre a felicidade

 

A felicidade não é egoísta.

(José Gil)

 

Os cristãos deviam ler menos certos autores populares no seu meio e ouvir mais alguns outros. Filósofos, por exemplo.

Falando de felicidade. José Gil (em entrevista a Luís Osório, para o Jornal I), entende-a não como um estado de espírito, mas como “um terreno que permite todos os prazeres vividos com a maior intensidade”. Trata-se de uma disposição geral que faz com que cada prazer, e cada dor, sejam subordinados ao prazer de existir.

O filósofo define o conceito de felicidade não como um momento de prazer, como beber uma cerveja numa tarde de Verão, ou degustar um bombom, mas sim como “o prazer da existência antes de mais”.

José Gil eleva o conceito de felicidade para outro plano que vai para lá do momento, explicando que felicidade “é uma promessa de alegria”. Curiosamente, na sua autobiografia espiritual C. S. Lewis afirma que se deixou surpreender pela Alegria, ao redescobrir a fé cristã.

Gil destaca a intimidade entre a felicidade e a alegria desta forma: “Uma criança que vai para a água na praia e que ri muito: nós dizemos ser evidente que está feliz, como poderia não estar? Claro que está, porque a criança está precisamente a existir na intensidade com que se predispõe para a vida”. Ou seja, em seu entender a felicidade não é o gozo do momento mas uma atitude que parte da capacidade de nos predispormos para a vida, de forma intensa, com a consciência de que existimos, estamos aqui e queremos estar.

Segundo o site Ciberdúvidas, o Dicionário da Porto Editora, revela que o termo vem “do latim exsistĕre”, e significa “ter existência; viver; ser; estar; haver; subsistir; durar”. Já o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de autoria do meu saudoso professor José Pedro Machado diz, na entrada Existir, o seguinte: “Do latim ex(s)istere, ‘sair de, elevar-se de; nascer, provir de, manifestar-se, mostrar-se’”.

Ou seja, a existência implica uma acção, uma atitude e nunca a inércia. Existir trata de uma manifestação do ser. A pessoa, que é única, não existe por, mas para. Para alguém e alguma coisa. Para existir temos que sair de uma situação de inércia.

Dificilmente encontraríamos maior e mais eloquente definição da fé cristã. Existir para o Outro, o próximo, o irmão, o estrangeiro e até o inimigo, na manifestação das boas novas.

Para o pensador, a felicidade é também uma reivindicação política: “Deveria ser a reivindicação de uma vida feliz em comunidade, a predisposição de uma comunidade para viver intensamente, para existir intensamente. A felicidade não é egoísta”.

Mais uma vez aqui o Evangelho nos compele a ser luz do mundo e sal da terra. Não há cristianismo sem proclamação, partilha e serviço (diaconia) aos outros e à comunidade.

Gosto das ideias de José Gil sobre o tema Felicidade e subscrevo-os, na medida em que os identifico como estando em perfeita consonância com a Palavra de Deus. Tenha ele consciência disso ou não.

 

José Brissos-Lino

 

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