Cutucar um vespeiro

 

 

“Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino, Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faz a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério” (2 Timóteo 4:1-5).

 

Quando era ainda muito pequeno sofri uma experiência traumática. Menino da cidade, não sabia nada das coisas do campo. Um dia, no Alentejo, quando brincava no monte com um primo meu de lá, mais velho, ele convidou-me maliciosamente e meter um dedo num orifício escuro que havia num muro, junto a um canto da casa, no exterior. Eu não sabia mas aquilo era um vespeiro. Com receio de meter lá o dedo fui buscar uma pequena cana e enfiei-a no buraco. Escusado será dizer que as vespas saltaram de lá, furiosas, e picaram-me todo. O meu primo foi depois devidamente castigado pelo pai com umas boas pauladas no lombo. Passei essa noite a acordar com pesadelos terríveis. Ainda me lembro vagamente.

O apóstolo Paulo escreve a Timóteo para o jovem pastor pregar nas comunidades cristãs a Palavra (e não qualquer outra mensagem), para instar a tempo e fora de tempo (manter-se sempre vertical, independentemente das circunstâncias do momento), para redarguir (replicar, responder), para exercer repreensão e exortação. Acrescenta que o faça com longanimidade (paciência) e sempre na preservação da sã doutrina.

Paulo acrescenta que viriam dias em que os cristãos não suportariam a boa doutrina, optando por escolher para si pregadores e ensinadores que lhes massajassem o ego (“conforme as suas próprias concupiscências”).

Diz ainda que esses mesmos crentes haviam de afastar-se da verdade (afinal, há uma Verdade a preservar), preferindo regressar às fábulas (sucesso inventado, mentira, falsidade).

E termina aconselhando Timóteo a manter a sobriedade (não se entregando a desequilíbrios), a sofrer as aflições decorrentes da sua fidelidade a Deus, ao ministério e à doutrina, e a cumprir o seu ministério integralmente.

Uma maneira mais simples de dizer tudo isto a Timóteo seria talvez que, ao ser fiel ao ministério, estaria como que a cutucar um vespeiro, pelo que seria bom proteger-se devidamente, para quando as vespas o atacassem em força.

Ainda hoje sabemos que é assim. Quem quiser preservar a Verdade sofrerá as aflições correspondentes. Muitos cristãos estão acomodados, muitos líderes estão comprometidos e a Verdade vai definhando. Torna-se impopular dizer que o rei vai nu, pelo que a Igreja vai entrando em apostasia progressiva, cada vez mais descaracterizada e afastada da Palavra.

Torna-se assim cada vez mais premente repetir a pergunta de Jesus Cristo: “Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” (Lucas 18:8).

 

José Brissos-Lino

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