A falsificação do Evangelho

 

Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo. E provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro. E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério. (Hebreus 6:4-6)

 

As seitas religiosas de inspiração cristã não pregam a Palavra de Deus. Socorrem-se dela, de forma altamente selectiva, para manipular os fiéis incautos, de modo a alcançarem os fins que se propõem, e que passam, normalmente, pela criação de uma organização imperial, e de uma crescente exploração financeira, de inspiração capitalista.

Quatro coisas caracterizam essencialmente as seitas deste teor:

O centro da mensagem é o homem e não a cruz.

Desde os cânticos aos sermões (indignos desse nome, diga-se!) tudo passa por fazer o ouvinte sentir-se bem consigo mesmo, na linha humanista de uma auto-ajuda de laivos cristãos, agora muito em moda.

O termo pecado não tem lugar, o conceito de arrependimento para a salvação foi apagado da sua bíblia, tudo o que importa é satisfazer as necessidades imediatas e sobretudo materiais do homem.

A centralidade da cruz de Cristo é omitida, directa e indirectamente, e substituída por uma espécie de teologia da “bênção à martelada”, indo de encontro ao espírito egoísta, relativista e hedonista do pensamento pós-moderno.

A ênfase é sempre: somos filhos do Rei, somos príncipes, somos ricos, e nunca: somos peregrinos na terra (Salmo 119:19), somos vituperados e atribulados (Hebreus 10:33), somos odiados pelo mundo (João 15:19), perseguidos (2 Timóteo 3:11) e sujeitos a sofrer aflições (II Timóteo 2:3; Romanos 8:18).

A ênfase da mensagem é a bênção e não o Deus que abençoa.

Resmas de bênçãos prometem os falsos pregadores das seitas. Procuram desenvolver na mente e no coração dos ouvintes a procura cega da graça de Deus de que necessitam, em vez que promover o discipulado, o conhecimento da Palavra e o aprofundamento das bases da fé cristã e bíblica, tendo em vista o crescimento e o amadurecimento espirituais.

São pregadores de um sucesso fácil que não encontra inspiração no exemplo de Cristo nem dos apóstolos.

Colocam em frente do nariz dos ouvintes uma cenoura, de modo a fazê-los caminhar na direcção que pretendem.

Alguns ousam mesmo dar ordens a Deus, para que liberte determinada bênção, numa miserável encenação de autoridade que não tem qualquer suporte escriturístico.

O alvo da mensagem é o lucro e não a santificação.

Tudo é feito de modo a dar lucro. Alguns chegam a mentalizar os fiéis de que a sua oração de petição será mais eficaz se for acompanhada de uma oferta de sacrifício, num insulto ao Deus de toda a prata e de todo o ouro. Como se Ele precisasse de dinheiro para alguma coisa, ou como se a sua misericórdia tivesse sido repentinamente trocada por uma atitude mercantilista, avarenta e a sua Graça estivesse à venda.

O espírito da mensagem é a obediência ao líder e não a Deus.

O conceito bíblico de “temor do Senhor” foi apagado e substituído pela imagem do Deus porreiro, que só se enfurece com aqueles que contestam o ensino ou orientação do líder.

Essa reverência para com a Deus foi trocada pela reverência para com o líder, que assim usurpa o lugar de Deus, declarando-se “o ungido do Senhor”, o qual, e muito convenientemente, não costuma prestar contas do seu ministério a ninguém. Em vez de reverenciar Deus passam a reverenciar o líder da seita.

Conclusão

As seitas religiosas de inspiração cristã estão a crucificar de novo a Cristo, como afirma Paulo aos Romanos, expondo o Senhor ao vitupério. Ou seja, ao insulto, à injúria, ao ultraje, à acção vergonhosa, à infâmia e à ignomínia: “de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério” (Hebreus 6:6).

Necessitam urgentemente de se arrepender.

 

José Brissos-Lino

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2 pensamentos sobre “A falsificação do Evangelho

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